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RAZÕES PARA A EXISTÊNCIA DAS ACADEMIAS


Há muitas razões para a existência de uma Academia. Congregar o pensamento médico-acadêmico, dar honras, preservar a memória, ressaltar valores, contribuir sempre para melhorar os padrões técnicos e éticos da Medicina, desenvolver clima de crescente respeito aos valores profissionais que ajudaram e ajudam a manter a imagem do Médico e da Medicina.
Ah! Quanto e como devem ser valorizadas as Academias, desde suas origens, nos jardins de Academus, na Grécia que não é antiga, por serem atuais seus ensinamentos e presente sua sabedoria filosófica. Se Platão não a tivesse criado, pouco ou quase nada restaria na memória da humanidade da presença de Sócrates.
RAZÕES PARA A EXISTÊNCIA DAS ACADEMIAS


Há muitas razões para a existência de uma Academia. Congregar o pensamento médico-acadêmico, dar honras, preservar a memória, ressaltar valores, contribuir sempre para melhorar os padrões técnicos e éticos da Medicina, desenvolver clima de crescente respeito aos valores profissionais que ajudaram e ajudam a manter a imagem do Médico e da Medicina.
Ah! Quanto e como devem ser valorizadas as Academias, desde suas origens, nos jardins de Academus, na Grécia que não é antiga, por serem atuais seus ensinamentos e presente sua sabedoria filosófica. Se Platão não a tivesse criado, pouco ou quase nada restaria na memória da humanidade da presença de Sócrates.
As Academias têm sólidas razões para existir. Elas congregam, integram valores, experiências, sabedoria, cultura acumulada. Elas valem pelo somatório da história de cada um e pelo conjunto da representatividade solidária da instituição. Acadêmicos são, nas expressões de São Tomás de Aquino, “seres etéreos, mensageiros alados, feitos da presença do que realizaram”.
É bom que se diga que nós das Academias cultuamos a tradição, os vultos que ajudaram a fazer e erguer as Letras e as Artes, o pensamento, as ações dos vários ramos do Saber. O nosso Coelho Neto afirma:
“Não queiramos a glória do anonimato. Povo sem tradição é árvore sem raízes, que qualquer vento derruba – veneremos o passado, assim como acendemos círios à beira dos túmulos. Façamos luz no tempo, para que venham pela claridade do estudo, as pálidas figuras dos primeiros dias, que são os manes da raça, os precursores do gênio do povo. Eles estarão sempre presentes em nossa memória”.
É importante parar por momentos à margem dos caminhos da História, onde como bandeirantes do ideal, encontramos a cada instante, pepitas de ouro, pedras preciosas, dos fatos, dos eventos, dos nomes que enriqueceram a nossa história cultural.
    Vamos contribuir, temos certeza, para a existência da Federação de Academias integradas pelos que crêem em melhores destinos para a Medicina e se propõem a lutar pelos ideais, que desejam preservar, os elevados padrões éticos e técnicos e se dispõem a honrar aqueles que se deram pela profissão no decorrer dos tempos, escrevendo com suas vidas a própria história da Medicina – obra da humanidade, e para a humanidade.
Esta é uma das finalidades primordiais das Academias.
    As suas origens revelam esta preocupação de dar honras e enaltecer as obras dos nossos maiores, que nos antecederam. Platão, ao criar a Academia, no Jardim de Academus, em Atenas, há cerca de 430 anos antes de Cristo, visava perpetuar a obra e a memória do seu Mestre Sócrates.
    E conseguiu o seu intento: perpetuou Sócrates e se perpetuou no relacionamento, no pensamento filosófico e nas ações através da Academia.

    Nesta época, e no mesmo sítio histórico da Grécia, Hipócrates – o Pai da Medicina – separou a Medicina de Filosofia, dando-lhe sentido e conteúdo científico, escrevendo e organizando as bases da profissão.
    Hipócrates distinguiu a Medicina da Filosofia, mas não a retirou para a Medicina. Há, em verdade, profundo e grave compromisso da Medicina com a Filosofia, dentro dos princípios éticos – princípios que não podem ter fim por serem essenciais à Medicina.
    Cremos que as Academias de Medicina podem apresentar diretrizes e contribuir para solucionar problemas médico-sociais. As Academias têm razões para existir. São capazes de servir.
    A credibilidade das Academias não tem medida, é inestimável. Elas constituem, e são, a memória de quantos deram suas vidas, inteligência, conhecimento, cultura, renúncia, trabalho e serviços para escrever a história médica regional e nacional.
    A Medicina, que as gerações construíram, é monumento que devemos preservar. É obra da humanidade. Recebemos e devemos nos esforçar para assegurar e aprimorar seus valores.
    A evolução tecnológica não pode se distanciar do sentido ético-humanista da atividade fim, de suas origens e de suas finalidades.
    O pensamento médico acadêmico precisa chegar lá fora, com endereços definidos, externando o inconformismo, a inquietação e desesperança de muitos. É importante revelar propostas de equacionamento que as Academias possuem.
    Temos objetivos determinados e meios para alcançá-los. Correspondem às aspirações e interesses da Medicina e das comunidades em termos de saúde e bem-estar social. São respostas às necessidades básicas e sentidas na Nação no seu todo, desejadas pela consciência nacional e se identificam com a sensibilidade comum quanto ao que é melhor, dentro de princípios humanistas.
    Esses pressupostos, em especial de natureza ética, encontram-se na evolução histórico-cultural e social da Medicina e na consciência profissional, nos valores, tradições e costumes que conformam a própria identidade médica.
    São fundamentos permanentes da moral médica. São ideais de respeito à dignidade humana, de justiça e de humanismo que pré-existiram, subsistem, dada a sua preeminência e transcendência.
    As Academias e a Federação que surge para as congregar pelos seus integrantes e responsabilidades, têm capacidade de sentir e interpretar as aspirações e os interesses da saúde e da vida humana e dimensioná-las, em todas as etapas da existência, sem discriminações ou intolerância por grupos etários e raciais.
    Buscaremos refletir o pensamento médico acadêmico, valorizar e projetar as Academias, para um amanhã melhor na Medicina.

    

Waldenir de Bragança
Academia Fluminense de Medicina
Julho de 2006
 
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